Quinta-feira, Agosto 11, 2005

Lá fora, o cartaz anuncia o título do espaço. Chop Suey. Duas mulheres estão sentadas frente-a-frente. Falam? Estão em silêncio? O tempo parou, e são os pormenores que nos alimentam. Gosto do candeeiro e do casaco pendurado atrás da mulher branca. Em quem pensa, a mulher branca? Quem estará dentro de si, latejando? E o homem da mesa ao fundo? Não reparará, porventura, num olhar que o consome, que o perscrusta? imerso em leituras, ignorando que a mulher de testa laranja o envolve na teia da sedução. Há também as cores, desenhadas, íntimas, da luz. Na janela, junto ás duas mulheres, um vidro fosco, mal pintado, traz clandestinidade ao bar. E que dizer dos olhos fundos da mulher de branco? O tempo parou. A mulher de branco observa-nos, seduz-nos, envolve-nos. Tudo é harmonioso. Mas quantos segredos se escondem sob este espaço demasiado perfeito?
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